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História - Graça

Desde que me lembro, a minha vida nunca foi fácil.

Os meus pais separaram-se quando eu tinha 7 anos. O meu pai bebia e a minha mãe envolvia-se com outros homens. Claro que isto tudo acabava em grandes zaragatas, presenciadas por mim e pela minha irmã. Quando se separaram, eu fiquei com os meus avós e a minha irmã com a minha mãe. O meu pai desapareceu rapidamente da história da nossa vida.

Os poucos momentos felizes foram com os meus avós. Mas nessa altura eu não dava valor à segurança e conforto. Com a chegada dos 13 anos, sentia-me presa: a minha avó não me deixava sair e eu queria tanto ver o mundo, ter amigos, sair, divertir-me.

A minha mãe pressionava-me para ir viver com ela para o Alentejo e, imatura como era, encantada com promessas de liberdade, fui. Tinha 13 anos, estava no 7º ano e, até à altura, nunca tinha dado problemas na escola.

Os novos amigos que fui fazendo não me trouxeram nada de bom. Faltava à escola, andava por bares e discotecas, não estudava e comecei a chumbar. Aos 14 anos, fiquei grávida. Rapidamente, o pai do bebé desapareceu. Sozinha, fiquei desesperada. Com a minha mãe não podia contar: tinha ido para Lisboa atrás de um homem qualquer.

Um rapaz mais velho ajudou-me, ofereceu-me a casa dos pais e a sua companhia. Esta família era grande e complicada. Muito desorganizada, vivia atrás do subsídio e ninguém trabalhava. Sem alternativas, fui viver com este rapaz para uma casinha humilde e deixei a minha filha, que entretanto já tinha nascido, com a mãe dele. Trabalhava num supermercado e, atinha imensas contas para pagar. Ele estava desempregado, bebia muito e começou a bater-me. A gratidão que sentia por ele fazia-me hesitar em deixá-lo.

Quando, finalmente, o deixei achei que estava no céu. A minha filha continuava em casa da mãe dele. Sentia que agora podia pensar em mim, ter liberdade para viver, fazer o que me apetecia.

Liberdade que acabou mal! Envolvi-me com outro rapaz e fiquei grávida. Mais uma vez sozinha, trabalhei até se começar a notar a barriga e, depois, fechei-me em casa. Não comia, não falava com ninguém, só fumava. Dizia para mim própria que, no dia seguinte, resolvia o problema. Mas os dias eram todos iguais, nem me levantava da cama.

A GNR, alertada por vizinhos, arrombou a porta e levou-me para o hospital, onde estive na ala psiquiátrica um mês.

Depois, chegou a luz ao fundo do túnel. Fui acolhida na Casa de Santa Isabel, que trabalha com mulheres como eu, sem saída e sem sentido para a vida.

Este acolhimento foi muito sofrido, mas levei com dignidade a minha gravidez, ajudada por todos. Vivi com dificuldade a exigência de uma vida que, para ter objectivos, tem que ter horários, regras, limites… Mas venci! O nascimento do meu filho fez –me esquecer todos os meus pequenos sacrifícios. Ele estava ali a meu lado, tinha valido a pena.

Voltei a estudar, acabei o 9º ano. Fiquei mesmo contente! Depois foi a procura de emprego, com a ajuda da instituição. Quando apareceu a oportunidade de trabalhar com idosos num lar, nem hesitei. Ainda por cima era aquilo que eu gostava e tinha jeito! Não olhei para trás!

Hoje vivo com o meu filho numa casa humilde mas arranjada e digna. Aguardo cada dia que passa com esperança e confiança. Voltei a encontrar vontade de viver e espero que Deus me ajude a reunir condições para poder ir buscar a minha filha para junto de nós.

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